Se você é como muitos outros jogadores de RPG que eu já conheci, alguma vez já se encontrou sem grupo para jogar. Esse é com certeza o destino mais triste relacionado ao hobby que qualquer RPGista pode encontrar. Eu mesmo já estive nessa situação algumas vezes, e por pouco não desisti de procurar outras pessoas para compartilhar essa tão nobre atividade.
Porém uma hora ou outra acontece. Você descobre que aquele colega de classe também joga RPG, alguma pessoa na rua o vê lendo Vampiro: A Máscara, ou acaba achando pessoas na mesma situação pela internet. Você consegue achar a quantidade de pessoas que precisa para formar um grupo, agenda uma sessão para fazer os personagens e fica feliz da vida pois dessa vez vai dar certo. Afinal, o que poderia dar errado?
Bem, sinto dizer, mas muita coisa. Este post é uma coleção destas coisas que podem atrapalhar. Se serve de consolo, passei várias vezes pelas situações que irei descrever. ![]()
Inexperiência e vontade x Má atitude e maus hábitos
Uma situação relativamente comum criada pela falta de grupo é conseguir pessoas que sejam novas ao hobby e tenham pouca ou nenhuma experiência. Na minha experiência, esse tipo de jogador quando combinado com a vontade de aprender e disposição para ler pode ser muito mais divertido de ter em sua mesa do que um jogador com má atitude e maus hábitos. Já perdi a conta de quantas vezes encontrei jogadores de RPG que estavam dispostos a jogar, mas que jamais tinham lido um único livro, não sabiam nada dos sistemas que já jogaram e que, pra piorar, estavam acostumados a jogar de um jeito totalmente diferente (para não dizer “errado”) do que eu.
É muito mais fácil e proveitoso ensinar uma pessoa disposta a jogar RPG do que tentar se adaptar a um jogador carregado de hábitos ruins, que está na mesa apenas para jogar dados (e trapacear, se ele conseguir) e ser o “personagem mais forte”.
Diferenças de expectativas
Muitas vezes encontrei bons jogadores, com experiência e a atitude certa, mas que renderam jogos medíocres. E às vezes isso não aconteceu nem por uma falha do mestre nem do jogador, e aconteceu simplesmente por pessoas esperando coisas diferentes do mesmo jogo. O que acabou acontecendo foi uma enorme sensação de frustração, que poderia ser evitado caso uma conversa para alinhar as expectativas tivesse ocorrido.
O mais triste quando isso acontece é que às vezes não há tempo para esse alinhamento após uma sessão frustrada, e o jogador acaba abandonando a mesa. Portanto, vale a pena usar uma sessão de jogo (ou até mais!) para explicar o seu ponto de vista sobre o hobby e entender a de todos os seus jogadores. Comunicação é a chave!
Diferenças de estilo de jogo
Este problema é uma versão mais grave da diferença de expectativas. Como diz a teoria do RPG (que eu ainda estou estudando para explicar aqui no blog, desculpem a demora), existem diferentes estilos de jogos, e nenhum deles está errado. Um dos maiores motivos para a frustração do mestre (e as vezes até dos jogadores) é quando o estilo de seus jogadores é diferente da dele.
Um exemplo é quando jogadores acostumados a jogos estruturados e extremamente narrativo encontra um mestre que os deixa livre para entrar ou criar sua própria aventura. O excesso de liberdade acaba causando letargia para esse tipo de jogador, e o mestre vai ter com certeza uma série de dificuldades para fazer a aventura se tornar interessante. O contrário também acontece, jogadores acostumados a liberdade se sentem presos e manipulados pelo mestre quando este tem um estilo mais estruturado de mestrar.
Nenhum “estilo de jogo” é errado ou inferior a outro, porém quando vários deles estão na mesma mesa de jogo, problemas com certeza irão ocorrer. Mais uma vez, a questão aqui é comunicação. Embora dificilmente os jogadores conseguem explicar exatamente qual o “estilo” que ele gosta, vale o esforço de tentar descobrir essa preciosa informação através de conversas, falando sobre suas experiências em outros grupos, discutindo sobre os problemas que tiveram com outros mestres e/ou jogadores, enfim, encontrar maneiras indiretas de saber com quem exatamente você irá jogar.
Agendas incompatíveis
O problema com a agenda dos jogadores talvez seja o mais trivial, e com certeza ocorre também na maioria dos grupos já formados, porém é um dos mais frustantes. Você encontra um bom jogador, passa um bom tempo conversando, debatendo e discutindo RPG, mas na hora de jogar é quase impossível conciliar os horários.
A agenda é provavelmente uma das primeiras perguntas que eu fazia quando encontrava um possível jogador, mas às vezes uma pessoa que você gostaria muito que jogasse não está disponível no seu horário preferencial. Quando é possivel fazer malabarismos na agenda para jogar, ótimo, mas essa situação não é muito sustentável.
Lembro-me de ter jogado com um amigo que trabalhava em turno, então chegamos a ter sessões domingo às 7 da manhã, já que era o único horário disponível. Acordar domingo antes do meio dia é heresia pra mim, mas se for pelo RPG eu consigo abrir uma exceção.
Simplesmente jogadores ruins
Às vezes você passa muito tempo procurando, e tudo que acaba encontrando são jogadores ruins. Pessoas que não sabem respeitar horários, conversam durante o jogo sobre assuntos aleatórios, não conseguem levar nada a sério, não tem paciência de ler uma única folha de explicação sobre o jogo que você passou 3 meses preparando (quanto mais um livro inteiro!), fazem personagens que beiram o rídiculo (Tony Quatro Queijos, o mais espadachim da região), enfim, a lista é gigantesca, mas infelizmente a maior parte dos jogadores que eu encontrava quando estava procurando se encaixava nessa categoria.
Neste caso, pouco ou nada pode ser feito, infelizmente. Você pode, se estiver com muita disposição, tentar “coloca-los nos trilhos” e quem sabe formar bons jogadores, mas alguns são apenas caso perdido e causariam mais problemas na mesa do que trariam diversão.
Estes foram as maiores dificuldades que encontrei durante a longa, árdua e tenebrosa jornada para conseguir um grupo de RPG. E você, tem alguma experiência parecida ou totalmente diferente? Deixe seu comentário.
Tony quatro queijos foi o melhor mano, mas tudo que vc disse é bem real, acho que pro mestre acaba sendo bem mais dificil mesmo, por exemplo a sessão de ripper, ele só marca 1 dia antes, isso se ele nao tiver comendo menininhas de 15 anos, pq depois que foi chifrado e trocado por outro, só pensa nisso agora, só sai com gente feia pra se achar o mais bonito e gostoso, sinceramente to perdendo um amigo whathever… ¬¬
Essa do mestre com excesso de liberdade é meio estranho, eu ja peguei um mestre que ele ficava parado, ele nao dizia nada, a gente que ia seguindo o jogo, ele nao detalhava, só respondia e interpretava os npc’s e só =P.
Mano se continuar assim da pra escrever um livro com dicas interessantes huhuh ^^. continue assim! =*****
Por: Adolpho Costa em Agosto 18, 2008
às 11:37 pm
É um lastima, mas tudo o que você descreveu ocorre com todos os aficionados por RPG. Tive varias e variadas experiências deste porte, às vezes da vontade de ser na realidade o meio-orc e fincar com toda força um machado duplo na cabeça de certos jogadores. E já pelo outro lado tem players que quando não comparecem, parece que você esta jogando sem os seus dados favoritos (pra mim faz toda diferença).
O fato é que o RPG é descriminado (de inúmeras formas), e, portanto fica muito escasso de jogadores, e eu acho que o fato que mais assusta os novos jogadores é a encarar os livros (que a meu ver e indignante). Uma vez fui mestrar para uns amigos e levei o meu pequenino Kit-RPG (quem não tem um), que é a minha coleção de livros, dados, café, lapiseiras, etc… Ao chegar ao local onde fora marcada a seção, vi que aviam três pessoas novas, cumprimentei a todos e fui conversar com estas pessoas, erram novatas nunca tinham jogado e não faziam idéia do que se tratava. Pois bem, depois de uma conversa ficaram empolgados, ai que eu veio a susto. Fui então apresentar os livros (que eram de D&D, pois a seção seria do mesmo), retirei da bolsa volumosa o livro do jogador, notei que o animo tinha diminuído, mas ainda estava presente, então foi à vez do livro dos monstros, os narizes torceram e eu empolgando (todo jogador de RPG fica ao mostrar seus brinquedos =)), e um falou assim – vou ao banheiro – e foi para outro canto da casa fazer não sei o que; quando retirei o do mestre vaio de imediato a pergunta de um dos que restaram – nossa mas tem mais quantos livros – e eu retirei tudo da bolsa hahaha, ok, foi engraçado ver a cara pálida deles, mas o triste foi não velos nas seções seguintes. A culpa foi minha é verdade, mas os novatos não querem ler nada mais que um simplista recado de Orkut, ficando assim muito, mas bota muito difícil a progressão.
Por: Piltz em Agosto 19, 2008
às 3:10 am
Adolpho,
Uma pena perceber que não fui só eu que sofri isso tudo. Obrigado pela leitura e pelo comentário, mano!
Piltz,
Com certeza, como mestre eu posso dizer que sempre existem os “jogadores favoritos”, aqueles que fazem mais diferença na mesa, talvez por afinidade ou gostos parecidos, mas realmente acontece. O importante é não colocar esse favoritismo na mesa e dar oportunidades iguais a todos os jogadores de brilhar, ou você corre o risco de ter ciúmes coletivos (e com razão).
Já a segunda parte é muito triste. Eu acho extremamente triste o fato de nós brasileiros não estarmos acostumados a ler – eu conheço muita gente que se assusta com um texto com mais de dois parágrafos. Eu pessoalmente acho essa uma das mais nobres atividades, a mais rica em cultura e conhecimento, mas… Infelizmente minha opnião não é compartilhada pela maioria das pessoas. Uma pena, de fato.
Obrigado pela visita e pelos comentários.
Por: delibriand em Agosto 20, 2008
às 12:32 am